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Os Uniformes das Campanhas do Rossilhão e Catalunha 1793 -1795

POR: Manuel A. Ribeiro Rodrigues

 

OS UNIFORMES DAS CAMPANHAS

DO

ROSSILHÃO E CATALUNHA, 1793 - 1795

 

2º Reg. Infantaria do Porto
Viriatus - Figura 54D005

Os fardamentos que as tropas envergaram nestas campanhas foram estabelecidos pelo Regulamento de Uniformes de 1764 atribuído ao Conde Schaumbourg Lippe. Será que passado trinta anos os uniformes ainda seriam os mesmos? Pelo menos em teoria assim seria, uma vez que não saiu mais nenhum regulamento de alteração aos uniformes, e tal só iria acontecer em 1806. Contudo sabe-se que certamente houve alterações nos trajes militares, uma vez que a moda civil continuava a ter uma forte influência na evolução dos fardamentos militares e isto com grande incidência em todos os séculos, pelo menos até à publicação do Plano de 1806. Já Silva Lopes, no seu trabalho “Contribuição para o estudo dos Uniformes Militares Portugueses desde 1664 até 1806”(1), afirma: (...) “alterações diversas sofreram os uniformes de 1764 (...) essas alterações teriam resultado mais da moda que de determinações oficiais (...) os chapéus foram mudando de feitio, o corte das casacas foi sofrendo pouco a pouco modificações, os calções transformaram-se em calças (...) quero crer que desde 1801 em diante tais alterações se acentuaram, mas pouco posso dizer sobre o assunto”.

 

Efectivamente basta verificar o período em estudo e verificar as diversas influências que passaram pelo traje civil, assim temos a francesa (antigo regímen), seguindo-se a inglesa e novamente a francês (revolução) e depois novamente a inglesa. Os nossos uniformes tinham, como raiz, influência prussiana, devido à acção do Conde Lippe, apesar de ele ter vindo da Grã-Bretanha, onde militava.

 Se tivermos em consideração que as fardas eram confeccionadas pelos alfaiates das terras, onde os regimentos estavam estabelecidos, facilmente se poderá deduzir que certamente, os uniformes seriam “iguais” na mesma unidade e “semelhantes” de um regimento para o outro, em virtude de que haveria diferenças, uma de pormenor e outras bastante grandes, tudo isto poderia variar de artífice para artífice e de terra para terra, onde os regimentos estivessem instalados. Os alfaiates não eram militares, trabalhavam para os seus clientes civis (uns pobres outros abastados) e pontualmente teriam a “sorte” de confeccionar os fardamentos da unidade da sua terra, seu concelho ou distrito. Outra grande influência seria certamente o meio onde se encontrava a unidade, rural, urbano oi citadino, estou absolutamente convicto de que as confecções feitas por alfaiates de Lisboa ou do Porto e outros de Serpa ou Almeida seriam muito diferentes embora, na teoria, seguissem os modelos dos livros iluminados, a influência civil e do meio que os rodeavam estava muito presente nos fardamentos e conforme a moda se ia transformando, de ano para ano, os uniformes seguiam, de um ou de outro modo, essas “tendências”... isto sem levarmos em linha de conta os uniformes que os oficias mais abastados mandavam confeccionar ao seu livre arbítrio. Para confirmar o que acima expressei basta ler as “observações sobre as Reais Tropas Portuguesas às quais passou revista Sua Alteza, o Marechal Príncipe Christian von Waldeck nas Províncias do Alentejo, Algarve, Beira e Estremadura”(2), para se ficar totalmente esclarecido a este respeito!...

No respeitante às coberturas de cabeça passou-se sensivelmente o mesmo, em 1764 o tricórnio era o chapéu por excelência para civis, pobres ou ricos, e militares, predominando os acairelados com puxadores, borlas, laço, presilha e botão, em 1770 o bico frontal, que era saliente, começou a recolher e durante toda a década de 80 continuou a desaparecer, de tal modo, que em 1790 o tricórnio já quase se não confeccionava, o “bico” anterior não passava praticamente de uma pequena “ondulação”.

Como exemplo, que geralmente apresento, poderei reportar-me a uma das mais célebres coberturas de cabeça dos fins do século XVIII e princípios do seguinte, que foi o chapéu de Napoleão, que ele nunca abandonou, seria o que hoje chamamos uma “imagem de marca”, tratando-se de uma cobertura de cabeça típica de transição; efectivamente o Imperador dos Franceses adoptou o celebre “petit chapeau” dito “a la française”, a partir da data em que passou a ser Primeiro Cônsul em 1800, na realidade tratava-se de uma cobertura de cabeça utilizada no pequeno uniforme pelos oficiais de todas as armas naquela época.

No dobrar do século XVIII , os bicórneos ou chapéus de dois bicos, já se tinham imposto, vendo-se de tamanhos diversos, sendo alguns enormes e com as pontas exageradamente grandes e descaídas até aos ombros, acairelados de penas, com grandes penachos; as borlas, as presilhas e os botões enriquecidos  de pedrarias valiosas e bordados a fio de ouro ou prata! Eram e são assim os caprichos da moda...

Os nossos uniformes, ou melhor dizendo, os seus utilizadores, principalmente os oficiais seguiram bem a moda de perto! Isto já sem nos alongarmos nos chamados “uniformes de capricho” tão na moda, entre a nossa oficialidade da época e tão combatida pelos seus chefes (Lippe e mais tarde Beresford, além de outros).

Infelizmente não chegou até aos nossos dias grande profusão de fontes iconográficas coevas, para se poder executar uma análise pormenorizada das diferentes modificações, e os poucos livros iluminados existentes, pelo menos no Arquivo Histórico Militar são datados de 1777, 1783 e 1791.

                                                                                                                      O Autor

 

 

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