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Revólver Galand-Sommerville m/1872
Guarda Municipal
1872 - 1886
Introdução
Com as Guerras Mexicanas
(1846-1848) na América do Norte e com a Guerra da
Crimeia (1853-1856) na Europa, os revólveres iniciaram
um percurso de excelência, como armas militares.
Observam-se, no entanto, dois conceitos distintos,
relacionados com a génese do emprego militar destas
armas.
Na América do Norte, pela
natureza dos conflitos, onde a desproporção numérica,
entre os povos locais e as tropas americanas era
evidente, os revólveres assumiram o papel de arma de
repetição, manobrável e precisa. Inicialmente foram
destinados às tropas de Cavalaria, acabando depois o seu
uso, por ser alargado a outras forças. Neste contexto,
pontificou o revólver de acção-simples (”single
action”), onde o cão, armado manualmente, é desarmado
por um pequeno toque no gatilho, assegurando um tiro
preciso, mesmo a maior distância.
Contrariamente, na Europa, os
conflitos emergentes entre as potências militares
europeias e seus aliados, confrontavam tropas regulares,
numericamente semelhantes. Neste contexto, revela-se
sobretudo a necessidade de equipar os oficiais (até aqui
armados exclusivamente com a espada), com uma arma de
fogo, que assegurasse a sua defesa imediata. Também aqui
o revólver se impôs militarmente, porém com uma
aplicação como arma de defesa, onde a precisão não era
um requisito fundamental, privilegiando-se um tiro
rápido e eficaz, a curta distância, sem possibilidade de
efectuar pontaria. Foram preferidos os revólveres de
acção-dupla (”double action”) onde o gatilho arma o cão
e, no final do seu curso, liberta-o, efectuando o
disparo.
Apesar da instalação de uma
fábrica da Colt em Inglaterra na sequência do sucesso
dos seus revólveres de acção-simples na Exposição
Universal de Londres, em 1851, estes dois conceitos
permaneceriam separados pelo Atlântico, durante mais
duas décadas até surgirem sistemas de revólveres que
combinavam estes dois conceitos, a “acção-dupla
moderna”, designados na época por revólveres
automáticos.
Nestes, era possível armar o
cão manualmente e dispará-lo com um toque suave no
gatilho (antiga acção-simples) ou, puxar o gatilho, todo
o seu curso, de modo a armar o cão e por fim dispará-lo
(antiga acção-dupla).
Embora estes sistemas,
aparentemente conciliadores, resolvessem a dicotomia
acção-dupla/acção-simples, só mais tarde, após a guerra
Franco-Prussiana, e quando o choque entre as potências
militares europeias passou a ter lugar nos territórios
coloniais, é que lhes foi reconhecido, na Europa, o seu
potencial táctico. Neste novo contexto, as populações
locais, sublevadas e armadas pelas potências europeias
inimigas, obrigaram a uma doutrina táctica específica.
Pela significativa desproporção numérica entre as forças
europeias e os indígenas sublevados, impunha-se a
necessidade de armas de repetição, assumindo o revólver
de acção-dupla moderna a sua missão, como arma de
repetição ou de defesa.
É neste contexto, dos
revólveres de acção-dupla moderna, de fogo central, que
se enquadra o revólver concebido por Charles-François
Galand, melhorado por Alfred Sommerville, de fabrico
britânico, e adquirido em 1872, pela Guarda Municipal de
Lisboa e do Porto, para as Companhias de Cavalaria (como
arma de repetição) e para os Oficiais (como arma de
defesa).
O revólver
Galand-Sommerville
Charles-François Galand
(1832-1900), foi um conceituado fabricante de armas,
francês, com oficinas em Paris (Rue d’Hauteville, 13) e
em Liége (Rue Vivegnis, 296 e, mais tarde, na Rue de la
Loi, 7). A sua actividade, incidiu principalmente sobre
revólveres, destinados quer ao uso civil quer ao uso
militar. Destacam-se os revólveres Galand,
Galand-Sommerville, Galand-Perrin, o revólver “Tue-Tue”
(Fig. 2) e o pequeno revólver “Le Novo” (Fig. 3). O seu
filho, René Galand, deu continuidade a esta actividade e
em 1904, concebeu o revólver “Velodog”, destinado ao uso
civil, sobretudo à emergente onda de ciclistas do final
do século XIX, sujeitos à ameaça canina.
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Fig. 1 Gravura promocional do revólver Galand
“Sportsman”, calibre 9 mm, para uso civil,
desportivo. Este modelo possui também uma
coronha articulada, retráctil, destinada a fins
venatórios. |
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Fig. 2 Folheto promocional do revólver Tue-Tue,
destinado também ao mercado português ou
brasileiro. |
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Fig. 3 Revólver “Le Novo”, de pequenas dimensões
e punho retráctil, destinado ao mercado civil. |
Deste fabricante, destacam-se
igualmente algumas pistolas, de tiro simples, destinadas
ao tiro de recreio (Fig. 4). São armas de carregamento
pela culatra, também por deslizamento longitudinal do
cano.
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Fig. 4 Pistolas de recreio, fabricadas por
Charles-François Galand, destinadas ao tiro
desportivo. Folheto promocional destinado ao
mercado português ou brasileiro. |
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